Fernando Zara

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A forma atualmente praticada para classificar as diferentes categorias de roupas baseia-se nas funções que cada peça exerce dentro de um conjunto. Em termos práticos, a roupa tem que oferecer conforto ao usuário.

Num ambiente quente você pode buscar o objetivo com poucas peças de roupas, enquanto que nos locais mais frios a composição é mais complexa.

Devemos considerar que a peça de roupa que fica em contato direto com a nossa pele deve ser agradável ao toque, antialérgica, que possua capacidade de enxugar a pele caso esteja suando, tenha capacidade de evaporar eficientemente o suor, tenha ação antibiótica, etc. Esta peça que fica em contato direto com a nossa pele é conhecida como roupa do nível base ou primeiro nível (Base Layer).

Se estivermos em um ambiente mais fresco vamos necessitar criar uma composição de roupas para obter o conforto desejável. Nesse caso o conforto não se resume apenas na sensação de contato, mas também na capacidade de isolamento térmico do conjunto. Notem que se estivermos executando exercício físico podemos estar sentindo calor e até suando. Então as características das roupas do nível base continuam importantes, e temos que somar a elas uma capacidade de ventilação eficiente quando estivermos em exercício e um sistema de isolamento térmico também eficiente quando o nível da atividade diminuir. O conjunto de roupas que atuam ativamente no isolamento térmico é chamado de nível de isolamento ou segundo nível (Insulation Layer ou Second Layer).

Por fim, num ambiente frio, a qualidade do isolamento térmico terá que ser ainda melhor. Eventualmente vamos passar a necessitar de uma peça exterior a prova de vento para podermos confinar melhor o ar aquecido dentro do conjunto das roupas para nos manter quentes e confortáveis. Essa peça (ou conjunto delas) que executa(m) o confinamento de ar define o que chamamos de nível de confinamento (Shell).

Quando estivermos expostos a fatores de intempéries como garoa, chuva ou neve, dependendo da temperatura necessitamos que a peça de roupa exterior (Shell) não apenas seja a prova de vento, mas também impermeavel e transpirável.

As roupas impermeáveis e ao mesmo tempo transpiráveis são normalmente caras, e quanto melhor a transpirabilidade relativa, mais sofisticada tendem a ser. Algumas roupas dessa categoria podem custar muito caro. O confinamento eficiente é também importante em ambientes com vento.

Por outro lado à necessidade real depende também da atividade que vai se desenvolver, e a forma que isso será feito. Assim sendo o que define a composição não é o ambiente por si só. A definição final depende de três pontos:

1. Aonde (ambiente).
2. O que (atividade).
3. Como (intensidade).

Alguns exemplos.

Ambiente quente:

• Atividade contemplativa – Você não vai se exercitar, dessa forma você precisará de uma roupa fresca que ofereça boa ventilação.

• Caminhada – Atividade física moderada, uma roupa que não retenha a umidade (suor) e que seja leve e bem ventilada. Mesmo que chova é possível que prefira se molhar que utilizar qualquer tipo de roupa com impermeabilização.

• Corrida em trilha – Atividade aeróbica de intensidade relativamente elevada, a roupa não apenas deve ser leve e bem ventilada, mas tem que secar o suor rapidamente.

Ambiente fresco (10C a 15C):

• Atividade contemplativa – Como você vai ficar parado a maior parte do tempo precisa de conjunto de roupas que seja quente, e se tiver ventando necessita de um corta-vento.

• Caminhada – Se você estiver com carga ou em subida o seu corpo pode ficar bem quente, seria interessante possuir um conjunto de roupas que consiga evaporar o suor rapidamente, assim você não passa frio nas paradas.

• Corrida em trilha – Nessa temperatura a maioria dos atletas em treino utiliza camiseta (eventualmente) de manga longa e shorts. Alguns chegam a usar legging. Independentemente da escolha a capacidade de secagem rápida é fundamental, pois se não vai esfriar muito assim que parar. É possível que necessite de abrigo assim que parar suas atividades.

Ambiente frio (-5C a 9C):

• Atividade contemplativa – Nessa temperatura você vai precisar estar encapotado para ficar parado. Se estiver ventando talvez necessite de luvas e/ou gorro.

• Caminhada – Você vai precisar estar bem vestido, mas pode esquentar bastante nas subidas e até suar. A capacidade de dissipação da umidade é muito importante, pois a temperatura corporal cai muito rapidamente assim que interromper as atividades. Se estiver ventando pode haver necessidade de luvas e /ou gorro.

• Corrida em trilha – Um bom conjunto de roupas que otimize a evaporação do suor e a dissipação do vapor é vital nessa temperatura para atividades atléticas. Um conjunto com camiseta Dry e jaqueta com capacidade de evaporação seria uma excelente escolha. Os friorentos podem até usar um fleece leve tipo Powerstretch e para as pernas um legging Dry FIT cai bem.

Notem que estes exemplos não podem ser utilizados como tabela de recomendação de roupas ou produtos. Ela serve sim como referência, mas há a necessidade de considerar os casos individualmente (pessoas mais friorentas, calorentas, taxa de metabolismo, etc). Basta citar que existe uma lacuna de temperatura de -5C a 9C entre o segundo e o terceiro grupo.

Fora estes exemplos existem atividades diversas, algumas com complexidade muito grande. Por exemplo, escalada técnica alterna momentos de exercícios de alta intensidade (quando se escala) com períodos de total parada física (quando se está ministrando segurança). Nem sempre é fácil obter um bom conjunto de roupas para atividades extremas em ambientes mais rigorosos.

Em termos práticos existe no mercado roupas que exercem as três funções descritas (base, isolamento e confinamento) de forma independente, sendo que cada classe pode possuir subgrupos.

Base Layer

Base Layer – Roupas que ficam diretamente em contato com a pele.

o Underwear (Roupa de baixo) – Roupas fabricadas especificamente para serem utilizados como roupa de baixo num sistema de composição. Não tem como prioridade a questão estética, mas sim o funcional.

 

Ion Lite

o Roupa de uso geral – As roupas desse grupo podem ser utilizadas de forma simples ou em composição para integrar o nível base do Layering System. Ex: Camisetas Dry e Sphere da NIKE, Ion Lite da Solo.

o Roupa específica para ambiente quente – Essa categoria de roupa foi desenvolvida para ser utilizada preferencialmente durante atividades físicas (esportivas) em ambientes relativamente quentes. Ex: Roupas com tecnologia Coolmax camisetas lisas de Dry FIT, etc. Para o frio a Dupont desenvolveu o Thermax.

o Roupas que podem ser utilizadas tanto como Base Layer quente, quanto como isolamento (Mid Layer) – As roupas dessa categoria possuem em geral corte relativamente justo e empregam tecidos com maior elasticidade. A capacidade de enxugar a pele e secar o suor são fundamentais. Ex: Powerstretch Top e Pant…

Roupas para isolamento (Mid Layer): Hoje em dia, em termos esportivos quase que todas as roupas dessa categoria é algum tipo de fleece pile. No entanto existem uma grande gama de produtos que poderia exercer essa função. A vantagem dos piles é a leveza, porem com alto volume, facilidade na lavagem, manutenção, etc. Notem que nem toda roupa de fleece pile é adequado para uso em condição esportiva ou atlética. Na ultima instância é o corte e a modelagem que define a categoria de roupa.

o Roupas que conjugam o isolamento com o confinamento do ar – Existem basicamente três categorias – Barrier Fleece, Soft Shell e roupas compostas com enchimento. Existe bastante investimento em novas tecnologias na categoria do Soft Shell que podem evoluir para incorporação de membranas à prova d`água, dispensando o Hard Shell.

Fleece

Barrier Fleece – São roupas de fleece a prova de vento como os tradicionais Windstopper (Gore), Wind Pro (Polartec) e Windbloc (Malden Mills).

Softshell

Soft Shell – Uma nova leva de roupas que empregam tecidos a prova de vento (normalmente com alguma resistência a água).

Roupas compostas com enchimento – As roupas com enchimento foram muito usadas no passado, hoje o seu uso é mais restrito. Os produtos mais “chiques” usam o duvet (pluma de ganso) para o enchimento, mas existem produtos sintéticos também. As roupas mais sofisticadas para condições extremas são possivelmente as vestimentas mais caras no mercado de montanhismo/aventura.

Shell

Roupas para isolamento e confinamento:

o Wind Braker (Corta Vento) – Roupas a prova de vento, mas não impermeáveis.

o Capa impermeável e intranspiável – Capas e ponchos, as roupas dessa categoria tendem a criar o problema de condensação.

o Roupa leve impermeável e transpirável (Rain Gear) – Leves e podem ser usadas como abrigo da chuva e que funcionam como nível de confinamento em condições mais frias, porém não extremas. Normalmente são dotados de ventilação super eficiente.

o Roupa impermeável e transpirável para condições adversas – Nesta categoria estão as roupas exteriores para montanhismo e esportes/atividades de inverno (ambiente gelado).

Notem que aqui também não é o produto por si só que define a categoria, mas a sua concepção. Lá fora existem jaquetas de Gore-Tex para uso casual ou contemplativo. Ainda que alguns produtos sejam cultuados no nosso mercado como a melhor solução do mundo, a eficiência será comprometida se for empregado para atividades para o qual ele não foi desenvolvido. É o velho caso de uso indevido do material.

Quer saber um pouco mais sobre clima, acesse:

Tabela de Sensação Térmica

Fonte: www.nozica.com.br

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM fevereiro - 19 - 2011 Notícias

Existe um padrão de qualidade para classificar qualquer produto como uma roupa da categoria impermeável e transpiráveis:

1- Impermeabilidade: Este é um parâmetro absoluto, portanto o tecido ou é ou não é impermeável. Em tese poderia dizer que um tecido é impermeável se você fizesse um cone de tecido, selar a costura, encher de água e não vazar.

No entanto encontramos rigores no nosso meio, e um tecido que consiga apenas segurar a passagem de água sem pressão não pode ser tecnicamente considerado impermeável.

Muita gente não se dá conta de que tipo de pressão a natureza pode gerar. Ainda que não seja um fenômeno do cotidiano, o furacão Katrina gerou uma pressão equivalente a 13 PSI (libras por polegada quadrada), que é cerca da metade de uma pressão normal de pneu de carro. Uma pessoa andando de moto a 100 km/h pode estar recebendo pressão da ordem de 7 PSI (depende um pouco da carenagem e outros fatores envolvidos). Temos ainda que considerar que no caso de uma tempestade o vento pode sofrer turbulência, e incidir de diferentes direções a cada segundo.

Existem diferentes tecnologias que consegue criar tecidos com resinagem microporosa impermeáveis com diferentes níveis de exigência (5 PSI, 8 PSI, 10 PSI, e assim por diante). Evidentemente quanto mais baixa a resistência mais facilidade tem o tecido deixar a água passar.

A Marmot considera que o patamar mínimo de resistência hidrostática para considerar um tecido impermeável para uso em esportes de aventura é de 20PSI. Este padrão é muito alto, basta dizer que o esguicho de bombeiro gera algo em torno de 18 PSI de pressão.

2- Transpirabilidade: Ao contrário da impermeabilidade, a transpirabilidade é um parâmetro relativo. Um tecido pode ser muito pouco transpirável e outro ser bastante transpirável. Em tese poderíamos chamar os dois apenas de “transpiráveis”, mas na prática trata-se de dois produtos bem diferentes.

Neste parâmetro a quantificação é muito importante. O método considerado mais técnico é o teste Hohenstien, e o tecido é graduado com um número da seguinte forma:

  • 0 a 6: Excelente transpirabilidade. Confortável mesmo em atividade de alta intensidade aeróbica.
  • 6 a 13: Boa transpirabilidade. Confortável em atividades aeróbicas moderadas.
  • 13 a 20: Transpirabilidade satisfatória. Ideal para atividades recreacionais.
  • 20 a 30: Transpirabilidade insatisfatória para roupas.

O ponto fraco desse método é que temos que decorar a tabela. Por outro lado existe outro teste conhecido como método Acetato de Potássio B-1 que gradua a transpirabilidade em gramas de vapor que atravessa por um metro quadrado do tecido num período de 24horas.

Para efeito prático o método B-1 é muito bom, pois é evidente que um tecido que deixa passar 5000g/m²/24h é pior do que aquele que deixa passar 8000g/m²/24h.

Na prática podemos dizer que roupas com transpirabilidade abaixo de 6000g/m²/24h é apropriada para uso recreacional apenas. De 6000g/m²/24h a 10000g/m²/24h podem ser empregados para uso esportivo de intensidade moderada.

Apenas aquelas com a transpirabilidade superior a 10000g/m²/24h seria indicado para uso atlético.

 

Veja Também:

Composição de Roupas para Atividades Outdoor em Esportes de Aventura

Fonte: www.marmot.com

Luiz Makoto Ishibe

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM fevereiro - 3 - 2011 Eventos

GORE-TEX® é o nome comercial de alguns produtos desenvolvidos pela W.L. Gore.

A origem da membrana GORE-TEX ® começa com cinco letrinhas, ePTFE ou “Politetrafluoretileno expandido” foi criado em 1969, quando Bob Gore esticou ePTFE sob certas condições e o resultado foi um material incrivelmente forte com uma lista impressionante de características para uso na indústria de confecção.

Inicialmente o termo era o sinônimo de uma tecnologia de tecidos laminados com um filme microporoso com mais de 9 bilhões de poros microscópicos que são aproximadamente 20.000 vezes menores do que uma gota de água, mas 700 vezes maior que uma molécula de vapor de umidade o que conferia ao produto a qualidade de ser impermeável à água líquida ao mesmo tempo em que permitia a livre passagem de moléculas de água na forma de vapor. Em outras palavras as roupas com a etiqueta GORE-TEX® tinha a garantia de serem impermeáveis ao mesmo tempo em que permitia a saída da umidade interna em forma de vapor.

Desde a sua criação o produto vem evoluindo, e hoje a etiqueta GORE-TEX® significa não apenas garantia de impermeabilidade e da transpirabilidade do tecido, mas uma gama de produtos destinados a diferentes condições e atesta um padrão de qualidade consagrada nos ambientes mais hostis do mundo como nas escaladas de grandes montanhas e exploração de regiões polares.

Tecido à prova d’água e transpirável:

GORE-TEX® Pro Shell: É a versão mais resistente e transpirável dos tecidos impermeáveis da Gore, destinado para uso prolongado em condições extremas. As roupas dessa categoria foram concebidas para atenderem as necessidades dos profissionais e entusiastas ferrenhos que atuam em condições extremas e conta com a mais avançada tecnologia. As roupas para poderem ter essa etiqueta têm que passar por testes rigorosos em transpirabilidade, e apresentar um padrão de resistência por peso e durabilidade nos padrões mais exigentes. Podem ser em versões 2L e 3L, sendo que 3L possui uma finalização interna em um tecido micro telado, que diminui a abrasão interna, melhora a capacidade de o tecido deslizar sobre outra roupa que esteja sendo vestida por baixo, facilita a transpirabilidade e melhora o acabamento.

Prova d’água: Resiste a uma pressão superior a 40 PSI.

Transpirabilidade (método Hohenstien): Abaixo de 6.

Totalmente a prova de vento.

GORE-TEX® Performance Shell: Desenvolvido para prover conforto e proteção durável, esse produto é ideal para uma gama bastante ampla de atividades ao ar livre com fins esportivos e recreacionais. Existe uma oferta maior de opções de tecidos por um custo razoável.

Prova d’água: Resiste uma pressão superior a 40 PSI.

Transpirabilidade (método Hohenstien): Abaixo de 10.

Totalmente a prova de vento.

GORE-TEX® Paclite Shell: É a versão mais leve e compactável da família de produtos a prova d’água e transpirável. Muito transpirável é ideal para situações onde o peso e volume são críticos, mas não tem a mesma resistência do Pro Shell.

Prova d’água: Resiste uma pressão superior a 40 PSI.

Transpirabilidade 2L (método Hohenstien): Abaixo de 4,5.

Transpirabilidade 3L (método Hohenstien): Abaixo de 06.

Transpirabilidade (método JIS L-1099 B1): Mais de 25.000g de vapor d’água/m²/24 horas.

Totalmente a prova de vento.

Transpirabilidade segundo o método Hohenstien.

- Até 06: Transpirabilidade muito alta, ideal para atividades intensas.

- 6 a 13: Transpirabilidade boa, ideal para atividades moderadas.

- 13 a 20: Medianamente transpirável desconfortável em atividades intensas.

- 20 a 30: Baixa transpirabilidade, conforto moderado mesmo numa atividade de baixa intensidade.

Acima de 30: Transpirabilidade insatisfatória, impróprio para uso durante qualquer atividade.

GORE-TEX® Softshell: Softshell é um nome genérico para uma gama muito grande de tecidos, que podem ser:

- A prova d’água e transpirável.

- Resistente a água, a prova de vento e transpirável.

- Totalmente permeável.

Essa categoria de tecidos consegue criar roupas com características específicas para alguns usos, além de ter um apelo visual superior aos tradicionais fleeces.

Utilizando-se de tecnologia apropriada pode se obter produtos que reduzem a quantidade de peças tradicionalmente necessária para o Layering System, o que proporciona também maior liberdade de movimento.

GORE-TEX® Confort Mapping Technology: É uma tecnologia com o qual pode se melhorar o conforto nas vestimentas através de um desenvolvimento inteligente das roupas. Se projetarmos o corpo humano num mapa com diferentes zonas climáticas (área de produção de suor, área de evaporação, etc) e quisermos potencializar as funções específicas de cada zona não tem muito sentido empregar uma mesma tecnologia para a roupa inteira. O Confort Mapping Technology combina diferentes tecidos com a tecnologia GORE-TEX para otimizar o manejo de umidade, transpirabilidade, conforto, proteção térmica e o caimento.

Veja Também:

Tabela de Força dos Ventos

Fonte: http://www.gore-tex.com

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM março - 30 - 2010 Artigos Técnicos

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