Fernando Zara

Tudo sobre o mundo vertical!

Curso de escalada avançada.

Escalada Artificial

Entre os dias 22 e 25 de Abril, aconteceu mais um curso de escalada avançada (Bigwall) na Pedra do Baú. E durante 4 dias os procedimentos de escalada em grandes paredes e o frio na barriga fizeram parte do conteudo. E sobre a batuta dos mestres Armando Galassini e Claudio Bitencourt (Pita) tudo aconteceu com muita naturalidade, fazendo com que todos os participantes se sentissem tranquilos em todos os momentos.

Um dos pontos altos do programa foi o visual propiciado pela mãe natureza…

Os dias começavam bem cedo e logo após um café reforçado seguiamos para a base da parede, os dois primeiros dias trabalhamos na face Sul do Bauzinho, com o uso de equipamentos moveis montamos paradas e pudemos perceber que essas pequenas peças quando bem utilizadas são potentes, (stoppers, camalots, tricans, etc), tecnicas de ascensão, escalada guiada, escalada de segundo e a organização de todo o material de uso pessoal e de grupo fizeram parte de todos os dias do curso e era importantissimo já que um dos motivos para o sucesso nesse tipo de escalada é a organização.

Os dois dias restantes foram na parede Norte do Bauzão, a via Domingos Giobbi foi nossa anfitriã e professora. Passagens em clifs, talon e outras peças deram um up a mais mostrando que a brincadeira é seria e pode machucar, mais que se respeitadas algumas regras tudo fica bem.

O curso foi completo, bivak na parede, cozinha, e todas as expectativas atendidas.

Portaled

Saca Nut

No Brasil, a terminologia escalada artificial está comumente associada à artificial fixo (ou A-1), onde o escalador progride se apoiando de grampo em grampo. Essa idéia acabou, em muitos casos, criando preconceitos em relação à escalada artificial como se essa fosse uma atividade trivial e pouco refinada.

No entanto, a escalada artificial consiste em todo e qualquer tipo de ascensão em que, passiva ou ativamente, o escalador utiliza de pontos de proteções (fixos ou móveis) instalados na parede.

Nesse sentido, utilizar um equipamento ou um ponto de proteção fixa na parede e se pendular, pisar ou simplesmente descansar nele durante uma escalada é uma prática da progressão artificial.

Esse tipo de escalada, quando complexa, pode tornar-se uma prática extremamente meticulosa, técnica e extenuante, que exige do escalador muito preparo físico, psicológico, paciência e sensibilidade.

Pode, por um lado, ser uma atividade puramente física como subir se-agarrando a fitas de costuras (quickdraws) ou, por outro lado, tão complexa e difícil que toma um dia inteiro para a progressão de uma única enfiada.

Nesse tipo de progressão, ao contrário da escalada livre, o escalador depende integralmente de um conjunto de equipamentos o tempo todo. Para tornar a coisa um pouco pior, a sensibilidade torna-se uma percepção indireta.

Numa escalada livre, o escalador consegue saber se os seus dedos estão sobre uma boa agarra ou o grau de aderência da sapatilha. Mas não da pra saber ou sentir o estado e a qualidade de uma proteção, por exemplo, um cliffhanger sobre uma laca ou um friend dentro de uma fenda friável e aberta para fora.

A classificação técnica varia de A1 a A5. Essa graduação não apenas leva em consideração a dificuldade técnica em si, mas também considera o grau de risco e tamanho potencial de uma queda.

O problema é que essa classificação vem mudando radicalmente nos últimos anos. Isso se deve a alteração no sistema de graduação devido ao surgimento de novas técnicas e equipamentos. Por exemplo, em Yosemite, podem-se encontrar inúmeras vias classificadas como VI 5.10 A3. Isso significa que essas vias são demoradas (VI = pelo menos 2 pernoites para uma equipe bem preparada), onde 5.10 é o movimento mais difícil em livre e A3 é a dificuldade máxima de enfiada artificial.

GRADUAÇÃO MODERNA DE ESCALADA ARTIFICIAL.

A graduação da escalada artificial é para maioria das pessoas, menos compreensível do que a da escalada livre. Isso provavelmente ocorre devido ao fato dessa atividade não ser tão popular e, consequentemente, as referências não são claras.

Assim como na escalada livre, existem diferentes sistemas de graduação para a escalada artificial e devido ao fato do grande desenvolvimento desse tipo de escalada ter ocorrido em Yosemite, à graduação americana tem sido utilizado de forma quase universal.

Nesse sistema, a letra “A” é seguido por um número que vai de “0 a 5”, sendo que do numero 2 em diante se acrescenta o simbolo de “+”. É comum vermos vias graduadas com a letra “C” em vez de “A”. Quando isso ocorre, a graduação técnica continua sendo definida pelo número, mas significa que aquela via deve ser escalada sem o emprego de martelo. Essa categoria conhecida como “Caiam Aid” é uma forma refinada de escalada artificial, visto que causa menos danos à rocha.

A0: Também conhecido como “french free”, equipamentos ou grampos são utilizados para a progressão ou descanso. Geralmente os estribos não são necessários.

A1: Escaladas onde a progressão é feita sobre grampos e materiais bem colocados. O risco de uma queda é praticamente nulo, uma vez que se esteja utilizando a técnica correta e os equipamentos adequados. Nessa dificuldade, nem sempre é necessário ter estribos.

A2: Artificial moderado com alguns materiais delicados (pode eventualmente vir a sair) entre grampos e outros materiais bem colocados. Há risco de quedas pequenas.

A2+: Idem ao A2, porém com espaçamento maior entre as boas proteções. Pode haver complexidade em algumas colocações. Alguns materiais de proteção podem vir a sair caso ocorra uma queda, que pode chegar à ordem de 10 metros.

A3: Artificial difícil que exige o procedimento de teste. Várias colocações delicadas. Possibilidade de quedas da ordem de 15 metros, porém normalmente em locais seguros. Costuma levar algumas horas para se completar uma enfiada.

A3+: É o A3 complexo com maior risco. Possibilidade de haver colocações delicadas como tie offs e hooks em frisos e lacas relativamente soltas após uma sessão de colocação de peças de peso corporal. A habilidade de encontrar a linha da via (route finding) pode ser necessária.

A4: Artificial sério com passagens muito meticulosos e complexas. O tamanho potencial das quedas pode chegar à ordem de 20 a 30 metros. Pode haver perigo de choque (platôs). Mesmo os escaladores experientes dificilmente conseguem fazer mais de 2 ou 3 enfiadas por dia.

A4+: Mais sério que A4, pode tomar muitas horas para completar a enfiada. O escalador deve estar preparado para suportar horas de medo e incerteza. Possibilidade de várias colocações marginais. Escalada lenta, uma boa equipe pode conseguir render 2 enfiadas por dia, mas usualmente é de apenas uma enfiada.

A5: Artificial extremo, muito complexo e tecnicamente difícil. Não deve existir nenhum buraco escavado artificialmente em toda a enfiada, mesmo para colocação de bat hooks.  O risco de queda pode chegar a ser de corda total.

A5+: É um A5 partindo de uma parada que talvez não segure uma queda, isto é, há a probabilidade da equipe toda despencar da parede se o guia cair.

Equipamentos

Note-se que o tempo de escalada varia muito de acordo com a capacitação de cada escalador.

Hoje está na moda as escaladas rápidas. Existe uma corrida para fazer as ascensões dos clássicos yosemiteanos em um dia (menos de 24 horas) ou em Single Push (Escalada contínua, sem parada para descanso).

PROCEDIMENTOS DE TESTES.

Quando se está fazendo uma escalada artificial complexa, a sensibilidade para fazer uma boa colocação e a qualidade dos testes é fundamental.

Uma vez que um material for instalado, este deve ser testado com trancos utilizando o peso corporal, obviamente o teste deve ser progressivo, começando suavemente e terminando com trancos mais fortes.

Há duas formas de testes.

A técnica de estribos longos e de corda dupla:

Estribos Longos: É a técnica pelo qual se emprega o uso de estribos de 5 a 6 degraus. Uma vez que a ultima peça for instalada, o escalador deve fixar um estribo a ela e descer sobre o estribo anterior até que o primeiro degrau do estribo superior esteja na altura da sua canela. Feito isso, deve cuidadosamente transferir o peso do corpo, sem se soltar e sem tirar o pé do estribo inferior (o superior pode soltar-se). Uma vez transferido todo o peso, deve submeter o ponto a trancos suaves, inicialmente e mais fortes posteriormente. Uma vez confirmado a potencialidade da colocação, parte-se para buscar o ponto seguinte.

Durante todo este procedimento o escalador deve estar preso ao ponto anterior de forma que, se a peça em teste sair, o choque do tranco de queda seja o menor possível.

Corda Dupla: É a técnica pela qual, uma vez instalado o novo ponto, uma das cordas é costurada nele e a outra permanece na peça anterior. Feito isso, o escalador desce até o primeiro degrau do seu estribo e, com o auxilio do segurador que recolhe e trava a corda que foi costurada no ponto superior, testa-se a potencialidade da colocação.

Pode parecer estranho à idéia de testar violentamente um ponto supostamente delicado. Mas esse é o único procedimento que permite ao escalador ter uma noção acerca da qualidade da proteção. Ela pode não segurar uma queda, mas é absolutamente fundamental que, se o ultimo ponto soltar, seja em teste ou não, o penúltimo segure. Pois se por acaso não segurar, provavelmente nada mais irá, até que chegue o ponto forte (ponto de quebra do artificial).

O processo pelo qual numa escalada artificial delicada um escalador cai e sai arrancando ponto anterior é chamado de “zippering”.

O uso do capacete em escalada artificial é praticamente obrigatório, mesmo em se tratando de vias limpas em negativo. Isto porque quando um material sai em teste, normalmente este vem direto para você (então nunca fique olhando). Mantenha o rosto baixo e se estiver testando algo grande como um camalot #4 sem capacete, mantenha alguma coisa macia em cima da cabeça.

O problema é que essa regra de testes violentos possui muita, mas muitas exceções. Nenhum Cliff, de buraco ou de agarra, deve ser testado violentamente. Também pode não ser uma boa idéia ser violento com SLCDs em fendas abertas para fora ou fendas com rocha de má qualidade. O mesmo vale para tied off em fendas com rocha de má qualidade. Na realidade, quase sempre que se estiver na rocha de má qualidade, o teste violento deve ser evitado.

Mais uma vez uma exceção. No caso de escaladas em arenito ou rochas alteradas e pouco consistentes (podres, mesmo granito), se estiver utilizando tricams da Lowe/Camp, esses devem ser violentamente testados. Isso faz com que o seu bico fique cravado na rocha, aumentando com isso, a segurança.

Quando se estiver utilizando SLCDs, esses devem ser constantemente checados. O balanço que o seu estribo causa neles pode fazer com que a peça ande, saindo do posicionamento ideal e até pulando para fora da fenda. Esse problema torna-se maior quanto menor o raio de ação do SLCDs. Os tricams e microfriends devem ser especialmente vigiados.

Uma regra mais: Após uma passada sobre um material que não permite o procedimento de teste mais forte, nenhuma outra peça deve ser testada violentamente, até que se encontre uma colocação potente ou materiais de caráter permanente.

Boas escaldas…

Veja Tambem:

Eficiência e Qualidade das Proteções

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM abril - 28 - 2010 Trabalhos & Expedições

Objetivo

Equipamento

Transmitir e vivenciar as técnicas, procedimentos e toda a logísticas para escaladas longas em estilo Big Wall.

Conteúdo

- Conceitos de Segurança.

- Técnicas para utilização de “Proteção Móvel”.

- Progressão “Artificial Fixa e Móvel”.

- Procedimentos de teste.

- Grampeação (conceitos, ética e equipamentos utilizados).

- Movimentação em Cordas Fixas.

- Sistemas de içagem de carga.

- Logística de parede (alimentação, haul bag, pernoites).

- Graduação.

- Macetes diversos.

Instrutores:

Alexandre Portela.

Armando Galassini.

Carga Horária:

40 horas.

04 dias seguidos de aulas práticas.

Cronograma:

- 02 dias de práticas em vias de A-1 até A-3 na face sul do Bauzinho.

- 02 dias de prática na face norte do Baú com pernoite em porta ledge e platô.

Data:

Fechadas de acordo com a confirmação de mínimo de 04 alunos. (máximo 05 alunos).
Local:

Pedra do Baú – São Bento do Sapucaí – SP.

Preço:

- R$800,00 a vista.

- R$420,00 em 2x.

- R$290,00 em 3x.

Para um bom aproveitamento do curso é esperado que o aluno guie confortavelmente escalada de 5º grau, estilo clássico e domine as técnicas de segurança em escalada livre.

Equipamentos individuais necessários:

- Mochila 60 ~ 70 litros.

- Mochila 30 litros (opcional).

- Headlamp com pilhas extras.

- Roupas para utilização durante os 04 dias de curso e acampamento.

- Barraca.

- Saco de dormir.

- Isolante p/ piso.

- 01 corda dinâmica de 50 ou 60 metros.

- Cinto cadeirinha.

- Auto seguro.

- ATC.

- 04 mosquetões c/ trava (hms).

- 10 mosquetões

- Capacete.

- Um par de ascensores c/ punho (jumar).

- Um par de estribos.

- Jogo de stoppers.

- Algumas peças para proteção móvel (camalot, friend).

  • Os equipamentos devem estar em bom estado e de acordo com normas CE ou UIAA.

Hospedagem e Alimentação:

Uma boa opção é acampar em uma área particular que está a 20 minutos de caminhada do Bauzinho. Próximo a fundação pedra do Baú.

A alimentação é por conta do participante (aluno).

Maiores informações:

Fone: 11 8525-5036 - Armando Galassini.

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM março - 10 - 2010 Notícias

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