
Foto: Fernando Zara
As adversidades climáticas são os maiores problemas que podem ocorrer durante a prática do excursionismo.
Poucos são os recursos utilizados no Brasil pelos excursionistas, no que diz respeito à meteorologia. Mais com um barômetro (ou altímetro) e algumas informações básicas, muitas situações poderiam ser previstas e até evitadas.
A natureza é movida pelas leis físicas e químicas que interagem entre si. Apesar de complexos, todos os fenômenos são de certa forma previsíveis.
Para isso é necessário uma coleta de dados confiáveis e processamento correto dessas informações.
Para que se possa entender um pouco sobre meteorologia são necessários que se conheçam alguns dos conceitos:
- A capacidade de retenção de umidade na forma de vapor que uma massa de ar possui, sendo proporcional à temperatura. (o ponto se saturação para 1 kg de ar seco a 30 graus Celsius é de 28 g de água, a 0 grau é de 4 g).
- Transformações adiabáticas numa massa de ar. (uma massa de ar é um sistema de energia, assim se uma massa ganha altitude e energia potencial, a diminuição da pressão fará com que aumente de volume). Esse processo é compensado com a perda de calor (proporção em torno de 6 graus Celsius por km, valor conhecido como gradiente adiabático). Na descida do ar o processo é inverso.
- Foco de “baixa pressão”, é a área onde o ar sobe conhecido como ciclone, este sistema é associado a mau tempo.
- Foco de “alta pressão”, é o ponto em que o ar desce a terra, também conhecido como anticiclone, este associado a tempo bom.
- Frente fria: é o deslocamento da massa de ar frio, que por ser mais forte vem empurrando a massa de ar quente, as massas de ar frio nascem nas regiões polares e avançam para faixa tropical.
- Frente estacionaria: é a frente resultante do choque de massa de ar quente e fria, que por possuírem a mesma força ficam paradas sobre uma região.
- Micro clima: é o conjunto dos fenômenos meteorológicos de uma região, de âmbito local, que ocorre de forma independente dos fenômenos regionais.
Uma massa de ar quente quando em contato com a terra, absorve a umidade resultante da evaporação, aumentando assim o valor da umidade relativa.
Os fenômenos de nível regional são em geral mais previsíveis do que o de nível local. No entanto as regiões montanhosas são normalmente caracterizadas por possuírem um micro clima particular. Isso faz com que o estudo dos fenômenos locais seja uma pratica muito importante na elaboração de roteiros nessas regiões. (época do ano).
Dentre os fenômenos regionais mais conhecidos estão às frentes frias, quentes e estacionarias, associadas ao foco de alta e baixa pressão.

A Energia Solar e a Terra
A energia Solar e a Terra.
A fonte de energia para todos os fenômenos meteorológicos que ocorrem na superfície do nosso planeta é o Sol. A radiação solar chega a terra em forma de ondas eletromagnéticas, e a sua energia é sentida pelos organismos principalmente na forma de luz e calor.
No entanto a presença de nuvens e a curvatura de nosso planeta faz com que a sua distribuição não seja uniforme na superfície terrestre. Isso faz com que uma região acumule por absorção mais energia que outra.
O mecanismo da condensação do vapor de água.
A condensação do vapor de água na atmosfera ocorre normalmente devido à elevação de uma massa de ar úmida (ganho de altitude). As transformações adiabáticas (troca de calor) fazem com que ela se resfrie. Se nesse processo o ponto de condensação for atingido, dará inicio a formação de nuvens.
Para que isso seja possível é necessário que existam nessa massa de ar partículas sólidas em suspensão (poeira, poluição, etc.), que sirvam de núcleo de condensação. Caso isso não ocorra (ar muito puro), o processo pode não acontecer, mesmo que a massa de ar fique super saturada.
O ganho de altitude de uma massa pode ocorrer de varias formas:
- Gradiente térmico, o ar quente é menos denso do que o ar frio, se uma massa de ar for aquecida, esta ganhara altitude, formando um foco de baixa pressão.
- Encavalamento, se duas massas de ar se chocar, a mais quente subira por cima da mais fria.
- Obstáculos naturais, se na trajetória do deslocamento de uma massa de ar existir um obstáculo geográfico que não pode ser contornado (uma cordilheira, maciço ou montanha), essa ganhara altitude ate passas por cima do relevo.
O vento.
O vento é o deslocamento de massa de ar de um ponto de alta pressão para uma de baixa pressão. Esse deslocamento não ocorre de forma linear, mas devido a influencias externas (força de Coriolis, relevo, etc). Esse fenômeno ocorre em espiral que lembra a letra “S”. No hemisfério sul o vento descreve o movimento anti-horário sobre o foco de alta pressão, para chegar ao foco de baixa pressão com deslocamento no sentido horário.

As Frentes
As frentes.
A entrada da frente fria e quente é precedida por variação de pressão e aparecimento de nuvens tipo “Cirrus”. Quando a massa de ar frio é mais forte que a massa de ar quente, é chamada de “frente fria”, no caso inverso é “frente quente” se houver equilíbrio nas massas é “estacionaria”.
Grosseiramente podemos dizer que no hemisfério sul as frentes frias deslocam-se de sul para norte, e o inverso acontece para as frente quente.
Formação de neblina.
Quando a condensação ocorre no nível da superfície há a formação de nuvens baixa, que denominamos genericamente de “neblina”.
Neblina é resultante do resfriamento do ar, nas montanhas é comum que haja uma variação de temperatura muito grande entre dia e noite, a alta temperatura diurna evapora a umidade e abastece a massa de ar com carga de vapor, com o anoitecer alem da queda natural da temperatura a terra por esfriar-se mais rapidamente faz o papel de trocador de calor do nível inferior da atmosfera (alguns metros), o declínio da temperatura deste nível leva a saturação, desencadeando assim o processo da condensação, dando origem à neblina, esta pode ser muito densa, mas costuma se dissipar com a chegada do dia (acréscimo da temperatura).
Tormentas de verão.

Tormenta de Verão - Foto Marcio Prado
As tormentas de verão são fenômenos muito comuns nas regiões serranas (montanhosas) da faixa tropical há subtropical nos meses mais quentes do ano.
O Sol forte aquece a superfície terrestre de uma determinada área, onde paralelamente ocorre à evaporação da umidade que é absorvida pela massa de ar, a massa é aquecida de forma direta quanto de forma indireta pelo contato da terra, o ar quente menos denso, tende a subir, que num processo tipo reação em cadeia pode atingir uma velocidade superior a 100 km/h e chegar a uma altitude perto de 10.000 mts. Se a massa de ar subir a 8.000 mts, terá uma perda de 36 graus em temperatura, durante a subida ocorrera à condensação da umidade que formara nuvens tipo “Cúmulos Nimbus” e descarregara uma chuva torrencial, podendo ocorrer o “granizo”.
Este tipo de fenômeno nem sempre é previsível, existem dias favoráveis a sua ocorrência, fique atento a dias mais quentes e úmidos do verão.
Tempestade Elétrica.

- Tempestade Elétrica
A tempestade elétrica é um fenômeno que pode estar associado a outros, como tormentas e frentes.
O que o caracteriza é a presença de trovões e raios e pode ser muito perigosa, principalmente se ocorrer nas montanhas.
O raio é uma descarga elétrica de alta intensidade, a sua potencia é tanta que pode carbonizar um animal num impacto direto, rachar pedras e derrubar arvores.
Mesmo não atingido de forma direta, sua carga necessita de uma área muito grande para a dissipação, e todo ser que estiver nessa zona estará correndo certo risco.
Os raios tendem a cair nos locais altos (menor distancia) e pontiagudos, os picos e as arvores altas estão entre as preferidas.
Com base nos pontos preferenciais, pode se ter uma boa idéia dos locais com a menor probabilidade de impacto direto (zona de sombra), que é a área abrigada por um cone que pode ser representado na projeção de um triangulo quadrado com dois ângulos de 45 graus.
Para que o processo seja desencadeado é necessário que haja a ionização do ar que esta entre a zona eletricamente carregada e a terra, essa ionização pode ser sentida por uma pessoa, principalmente se ela estiver seca (arrepios de cabelo, zumbido no ar), se perceber esse tipo de fenômeno, é a hora de cair fora o mais rápido possível.
Para fugir desse tipo de fenômeno, não se aconselha buscar abrigos em cavernas e depressões (mesmo nas zonas de sombra, pois é normalmente a zona de dissipação), a não ser que tenha um vão livre de pelo menos 2,5 m acima e aos lados do corpo. Também não se aconselha ficar encostado em uma parede ou com os membros que estão em contato com a superfície do terreno afastados um do outro, isso se deve ao fato da resistência da rocha ser infinitamente superior a do organismo animal. Se a carga de dissipação encontrar um caminho mais fácil de percorrer que o da rocha, ela vai preferir. Mesmo que exista um vazio entre o corpo e a rocha, o ar pode ser ionizado e ocorrer um micro raio entre eles por isso a distancia mínima é de 2,5 m.
Fonte: http://www.cptec.inpe.br
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