Fernando Zara

Tudo sobre o mundo vertical!

Curso de escalada avançada.

Escalada Artificial

Entre os dias 22 e 25 de Abril, aconteceu mais um curso de escalada avançada (Bigwall) na Pedra do Baú. E durante 4 dias os procedimentos de escalada em grandes paredes e o frio na barriga fizeram parte do conteudo. E sobre a batuta dos mestres Armando Galassini e Claudio Bitencourt (Pita) tudo aconteceu com muita naturalidade, fazendo com que todos os participantes se sentissem tranquilos em todos os momentos.

Um dos pontos altos do programa foi o visual propiciado pela mãe natureza…

Os dias começavam bem cedo e logo após um café reforçado seguiamos para a base da parede, os dois primeiros dias trabalhamos na face Sul do Bauzinho, com o uso de equipamentos moveis montamos paradas e pudemos perceber que essas pequenas peças quando bem utilizadas são potentes, (stoppers, camalots, tricans, etc), tecnicas de ascensão, escalada guiada, escalada de segundo e a organização de todo o material de uso pessoal e de grupo fizeram parte de todos os dias do curso e era importantissimo já que um dos motivos para o sucesso nesse tipo de escalada é a organização.

Os dois dias restantes foram na parede Norte do Bauzão, a via Domingos Giobbi foi nossa anfitriã e professora. Passagens em clifs, talon e outras peças deram um up a mais mostrando que a brincadeira é seria e pode machucar, mais que se respeitadas algumas regras tudo fica bem.

O curso foi completo, bivak na parede, cozinha, e todas as expectativas atendidas.

Portaled

Saca Nut

No Brasil, a terminologia escalada artificial está comumente associada à artificial fixo (ou A-1), onde o escalador progride se apoiando de grampo em grampo. Essa idéia acabou, em muitos casos, criando preconceitos em relação à escalada artificial como se essa fosse uma atividade trivial e pouco refinada.

No entanto, a escalada artificial consiste em todo e qualquer tipo de ascensão em que, passiva ou ativamente, o escalador utiliza de pontos de proteções (fixos ou móveis) instalados na parede.

Nesse sentido, utilizar um equipamento ou um ponto de proteção fixa na parede e se pendular, pisar ou simplesmente descansar nele durante uma escalada é uma prática da progressão artificial.

Esse tipo de escalada, quando complexa, pode tornar-se uma prática extremamente meticulosa, técnica e extenuante, que exige do escalador muito preparo físico, psicológico, paciência e sensibilidade.

Pode, por um lado, ser uma atividade puramente física como subir se-agarrando a fitas de costuras (quickdraws) ou, por outro lado, tão complexa e difícil que toma um dia inteiro para a progressão de uma única enfiada.

Nesse tipo de progressão, ao contrário da escalada livre, o escalador depende integralmente de um conjunto de equipamentos o tempo todo. Para tornar a coisa um pouco pior, a sensibilidade torna-se uma percepção indireta.

Numa escalada livre, o escalador consegue saber se os seus dedos estão sobre uma boa agarra ou o grau de aderência da sapatilha. Mas não da pra saber ou sentir o estado e a qualidade de uma proteção, por exemplo, um cliffhanger sobre uma laca ou um friend dentro de uma fenda friável e aberta para fora.

A classificação técnica varia de A1 a A5. Essa graduação não apenas leva em consideração a dificuldade técnica em si, mas também considera o grau de risco e tamanho potencial de uma queda.

O problema é que essa classificação vem mudando radicalmente nos últimos anos. Isso se deve a alteração no sistema de graduação devido ao surgimento de novas técnicas e equipamentos. Por exemplo, em Yosemite, podem-se encontrar inúmeras vias classificadas como VI 5.10 A3. Isso significa que essas vias são demoradas (VI = pelo menos 2 pernoites para uma equipe bem preparada), onde 5.10 é o movimento mais difícil em livre e A3 é a dificuldade máxima de enfiada artificial.

GRADUAÇÃO MODERNA DE ESCALADA ARTIFICIAL.

A graduação da escalada artificial é para maioria das pessoas, menos compreensível do que a da escalada livre. Isso provavelmente ocorre devido ao fato dessa atividade não ser tão popular e, consequentemente, as referências não são claras.

Assim como na escalada livre, existem diferentes sistemas de graduação para a escalada artificial e devido ao fato do grande desenvolvimento desse tipo de escalada ter ocorrido em Yosemite, à graduação americana tem sido utilizado de forma quase universal.

Nesse sistema, a letra “A” é seguido por um número que vai de “0 a 5”, sendo que do numero 2 em diante se acrescenta o simbolo de “+”. É comum vermos vias graduadas com a letra “C” em vez de “A”. Quando isso ocorre, a graduação técnica continua sendo definida pelo número, mas significa que aquela via deve ser escalada sem o emprego de martelo. Essa categoria conhecida como “Caiam Aid” é uma forma refinada de escalada artificial, visto que causa menos danos à rocha.

A0: Também conhecido como “french free”, equipamentos ou grampos são utilizados para a progressão ou descanso. Geralmente os estribos não são necessários.

A1: Escaladas onde a progressão é feita sobre grampos e materiais bem colocados. O risco de uma queda é praticamente nulo, uma vez que se esteja utilizando a técnica correta e os equipamentos adequados. Nessa dificuldade, nem sempre é necessário ter estribos.

A2: Artificial moderado com alguns materiais delicados (pode eventualmente vir a sair) entre grampos e outros materiais bem colocados. Há risco de quedas pequenas.

A2+: Idem ao A2, porém com espaçamento maior entre as boas proteções. Pode haver complexidade em algumas colocações. Alguns materiais de proteção podem vir a sair caso ocorra uma queda, que pode chegar à ordem de 10 metros.

A3: Artificial difícil que exige o procedimento de teste. Várias colocações delicadas. Possibilidade de quedas da ordem de 15 metros, porém normalmente em locais seguros. Costuma levar algumas horas para se completar uma enfiada.

A3+: É o A3 complexo com maior risco. Possibilidade de haver colocações delicadas como tie offs e hooks em frisos e lacas relativamente soltas após uma sessão de colocação de peças de peso corporal. A habilidade de encontrar a linha da via (route finding) pode ser necessária.

A4: Artificial sério com passagens muito meticulosos e complexas. O tamanho potencial das quedas pode chegar à ordem de 20 a 30 metros. Pode haver perigo de choque (platôs). Mesmo os escaladores experientes dificilmente conseguem fazer mais de 2 ou 3 enfiadas por dia.

A4+: Mais sério que A4, pode tomar muitas horas para completar a enfiada. O escalador deve estar preparado para suportar horas de medo e incerteza. Possibilidade de várias colocações marginais. Escalada lenta, uma boa equipe pode conseguir render 2 enfiadas por dia, mas usualmente é de apenas uma enfiada.

A5: Artificial extremo, muito complexo e tecnicamente difícil. Não deve existir nenhum buraco escavado artificialmente em toda a enfiada, mesmo para colocação de bat hooks.  O risco de queda pode chegar a ser de corda total.

A5+: É um A5 partindo de uma parada que talvez não segure uma queda, isto é, há a probabilidade da equipe toda despencar da parede se o guia cair.

Equipamentos

Note-se que o tempo de escalada varia muito de acordo com a capacitação de cada escalador.

Hoje está na moda as escaladas rápidas. Existe uma corrida para fazer as ascensões dos clássicos yosemiteanos em um dia (menos de 24 horas) ou em Single Push (Escalada contínua, sem parada para descanso).

PROCEDIMENTOS DE TESTES.

Quando se está fazendo uma escalada artificial complexa, a sensibilidade para fazer uma boa colocação e a qualidade dos testes é fundamental.

Uma vez que um material for instalado, este deve ser testado com trancos utilizando o peso corporal, obviamente o teste deve ser progressivo, começando suavemente e terminando com trancos mais fortes.

Há duas formas de testes.

A técnica de estribos longos e de corda dupla:

Estribos Longos: É a técnica pelo qual se emprega o uso de estribos de 5 a 6 degraus. Uma vez que a ultima peça for instalada, o escalador deve fixar um estribo a ela e descer sobre o estribo anterior até que o primeiro degrau do estribo superior esteja na altura da sua canela. Feito isso, deve cuidadosamente transferir o peso do corpo, sem se soltar e sem tirar o pé do estribo inferior (o superior pode soltar-se). Uma vez transferido todo o peso, deve submeter o ponto a trancos suaves, inicialmente e mais fortes posteriormente. Uma vez confirmado a potencialidade da colocação, parte-se para buscar o ponto seguinte.

Durante todo este procedimento o escalador deve estar preso ao ponto anterior de forma que, se a peça em teste sair, o choque do tranco de queda seja o menor possível.

Corda Dupla: É a técnica pela qual, uma vez instalado o novo ponto, uma das cordas é costurada nele e a outra permanece na peça anterior. Feito isso, o escalador desce até o primeiro degrau do seu estribo e, com o auxilio do segurador que recolhe e trava a corda que foi costurada no ponto superior, testa-se a potencialidade da colocação.

Pode parecer estranho à idéia de testar violentamente um ponto supostamente delicado. Mas esse é o único procedimento que permite ao escalador ter uma noção acerca da qualidade da proteção. Ela pode não segurar uma queda, mas é absolutamente fundamental que, se o ultimo ponto soltar, seja em teste ou não, o penúltimo segure. Pois se por acaso não segurar, provavelmente nada mais irá, até que chegue o ponto forte (ponto de quebra do artificial).

O processo pelo qual numa escalada artificial delicada um escalador cai e sai arrancando ponto anterior é chamado de “zippering”.

O uso do capacete em escalada artificial é praticamente obrigatório, mesmo em se tratando de vias limpas em negativo. Isto porque quando um material sai em teste, normalmente este vem direto para você (então nunca fique olhando). Mantenha o rosto baixo e se estiver testando algo grande como um camalot #4 sem capacete, mantenha alguma coisa macia em cima da cabeça.

O problema é que essa regra de testes violentos possui muita, mas muitas exceções. Nenhum Cliff, de buraco ou de agarra, deve ser testado violentamente. Também pode não ser uma boa idéia ser violento com SLCDs em fendas abertas para fora ou fendas com rocha de má qualidade. O mesmo vale para tied off em fendas com rocha de má qualidade. Na realidade, quase sempre que se estiver na rocha de má qualidade, o teste violento deve ser evitado.

Mais uma vez uma exceção. No caso de escaladas em arenito ou rochas alteradas e pouco consistentes (podres, mesmo granito), se estiver utilizando tricams da Lowe/Camp, esses devem ser violentamente testados. Isso faz com que o seu bico fique cravado na rocha, aumentando com isso, a segurança.

Quando se estiver utilizando SLCDs, esses devem ser constantemente checados. O balanço que o seu estribo causa neles pode fazer com que a peça ande, saindo do posicionamento ideal e até pulando para fora da fenda. Esse problema torna-se maior quanto menor o raio de ação do SLCDs. Os tricams e microfriends devem ser especialmente vigiados.

Uma regra mais: Após uma passada sobre um material que não permite o procedimento de teste mais forte, nenhuma outra peça deve ser testada violentamente, até que se encontre uma colocação potente ou materiais de caráter permanente.

Boas escaldas…

Veja Tambem:

Eficiência e Qualidade das Proteções

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM abril - 28 - 2010 Trabalhos & Expedições

Apresentador do “Zona de impacto”, da Sportv, Gabriel Moojen teve duas experiências nas alturas semana passada. Mas bem diferentes: a primeira foi a escalada de uma árvore enorme em Campos do Jordão, no meio do verde. A segunda foi um rapel no Edifício Itália, em São Paulo. O prédio, de 46 andares, é protegido pelo Patrimônio Histórico por ser um dos maiores exemplos da arquitetura verticalizada brasileira.

Zoom Aventura na Sportv - Treeclimbing

Gabriel foi acompanhado pelo fotógrafo e escalador Luciano Correa. Ele retratou a façanha em fotos 360 graus, que você pode conferir abaixo:

http://www.360cities.net/image/Escalada em Àrvore da Zoom Aventura com Gabriel Moojen no Horto Florestal

http://www.360cities.net/image/Equipe da Zoom Aventura Escalando Àrvore em Campos do Jordão

As reportagens devem ir ao ar no meio de maio.

Maiores informações pelo telefone: 12 3663-3746 – Zoom Aventura

Veja Também:
Aventura nas Àrvores – Tree Climbing

www.zoomaventura.com.br

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM abril - 28 - 2010 Notícias

São materiais de proteção removíveis, normalmente instalados pelo guia durante a progressão e retirados pelo participante. Exceto alguns que necessitam serem martelados, (pítons) praticamente todos os outros tipos de materiais móveis podem ser instalados sem o auxílio de outros equipamentos.

Quanto ao princípio de funcionamento basicamente existem dois tipos de materiais:

“Ativo” e os “Passivos”

 

Black Diamond Stoppers

 

 

Metolius Ultralight Power Cam

 


 

Os equipamentos com princípio “passivo” possuem formato predominantemente em cunha, ainda que o perfil possa ser até hexagonal.

Esse grupo de material deve ser introduzido numa fenda, num ponto mais largo e travado num ponto mais estreito. É normal submetê-los a trancos puxando forte pela alça do cordelete ou pelo cabo de aço para travá-los na posição desejada.

Os materiais “ativos” possuem um sistema expansivo, normalmente assistido por molas, que permitem que se varie a dimensão útil. Assim, para instalá-los deve-se puxar o gatilho para deslizar as cunhas ou fechar as abas de travamento, introduzi-los na fenda na posição desejada e soltar o gatilho para que ele se expanda e fique travado.

Deve-se tomar cuidado com a angulação da corda e com a direção do choque no caso da queda. Esses materiais, mesmo os que funcionam com o princípio ativo, podem ser deslocados com o balanço da corda ou com o tranco da queda podendo até vir a pular fora da fenda. É importante que estes materiais sejam muito bem instalados para serem eficientes na função.

 

Stoppers

 

STOPPER: Um dos materiais mais consagrados de proteção em fenda tem sido largamente utilizado pela versatilidade e baixo custo. São extremamente eficientes quando bem colocados. A sua limitação está no tamanho, pois pouquíssimos fabricantes produzem peças com mais de uma polegada de dimensão útil. São materiais totalmente passivos, devendo ser introduzidos na parte mais aberta das fendas e travados nas partes mais fechadas. É sempre bom submeter esses materiais a alguns trancos logo na instalação, isso ajuda o material e se encaixar melhor na fenda diminuindo o risco de sair acidentalmente.

A sua remoção nem sempre é fácil, especialmente se o material segurou uma queda. O Stopper pode ficar entalado na fenda, e nesse caso é bom ter um saca-nut (nut tool) para extraí-lo.

 

Black Diamond Nut Tool

 

 

Titons, Tricams e Hexcentrics

 

 

Black Diamond Hexcentrics

 

NUTS EM GERAL: São equipamentos de colocação semelhantes aos stoppers, possuindo, no entanto, formato e dimensão diferentes. Utilizou-se durante muito tempo os materiais como Titons, Tricams e Hexcentrics além de outros. No entanto, hoje esses equipamentos totalmente passivos vêm perdendo terreno para equipamentos ativos como os SLCDs.

Apesar de alguns escaladores modernos considerarem esses materiais da idade de pedra, em muitos casos é vantajoso carregá-los, especialmente quando o fator peso for fundamental para o sucesso da escalada. Outra vantagem, que também pode ser estendida aos stoppers, é o menor custo na necessidade de abandono se tiver que deixar estações de rapel montadas numa descida de montanha ou numa situação de emergência.

SLCDs: Ainda que caros e pesados, os Spring Loaded Caming Devices têm se tornado o equipamento padrão de proteção em fenda dos escaladores modernos. Todos eles são equipados com cames móveis, assistidos por molas que os mantém na posição aberta. Com o auxílio de um gatilho, o escalador pode fechar o material e introduzi-lo numa fenda. Quando o gatilho é solto, os cams giram sobre o próprio eixo expandindo-se dentro da fenda. Deve-se tomar cuidado no uso desses materiais, pois têm a tendência de andar sozinho com o balanço provocado pela corda, é interessante alongar sua conexão com uma fita, diminuindo seu deslocamento. A grande vantagem desses equipamentos está na facilidade de manejo, além de serem fortes mesmos nas fendas absolutamente paralelas e, em alguns casos, até nas fendas abertas.

Os materiais mais conhecidos dessa categoria são os Friends da Wild Country, Camalots e Camalots C3 da Black Diamond e TCUs (Three Cams Units) da Metolius. Existem vários fabricantes menores como a Colorado Custom Hardware (Aliens), Wire Bales, etc.

 

Wind Country Friends

 

 

Black Diamond Camalots

 

 

Metolius Ultralight Power Cam

 

Os SLCDs não devem ser utilizados na posição de máxima expansão, exceto os Camalots, que por possuírem dois eixos que travam os cams podem funcionar como equipamento passivo.

Estão nessa categoria todos os tipos de slider nuts, que possuem invariavelmente duas peças que deslizem uma sobre a outra para criar o efeito cunha para expansão do material. Praticamente todos os materiais dessa classe são para fendas de pequenas dimensões. Os slider nuts não devem ser utilizados na máxima expansão.

Os slider nuts não são muito fortes e necessitam de rochas de boa qualidade para serem confiáveis. É muitas vezes uma mão na roda para progressões artificiais, mas tomem cuidado ao empregá-los na escalada tradicional.

 

Big Bros

 

Também fazem parte desse grupo os Big Bros, materiais em forma de tubos com um gatilho e uma mola interna equipados com uma trava em rosca.

Ao contrário dos slider nuts, Bigbros foram feitas para fendas largas da categoria offwidht.

PINS: Ou pregos de fendas, são materiais que devem ser martelados para dentro das fendas naturais da rocha. Dividem-se em várias categorias de acordo com tamanhos e formatos como RURPs (Realized Ultimate Real Pitons), Knifeblades, Bugaboos, Pitons, Baby Angles, Angles e Bongs. Procura-se não usar muito esse tipo de material, pois são agressivos ao meio ambiente (desagrega a rocha da fenda onde está sendo colocado). Um pin bem instalado é uma das proteções mais fortes que se pode ter.

 

Black Diamond Rurp

 

 

 

Black Diamond Knifeblade e Pitons

 

 

Black Diamond Bull Dog

 

Sempre que estiver escalando e encontrar um píton pré-instalado, se recomenda que o teste com trancos fortes. Se estiver com martelo à mão é bom até dar umas batidinhas para ver como ele está. Esses materiais podem ficar totalmente soltos com o tempo.

Os materiais que possuem colocação parcial devem ser laçados, e não costurados no olhal. O laço na base do píton causa muito menos alavanca do que uma costura no olhal.

Veja Também:

Conheça os Modelos e Como Utilizar os Mosquetões

www.bdel.com

www.windcountry.com

www.needlesports.com/nutsmuseum/nutsstory.htm

Foto: John Dickey

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM abril - 12 - 2010 Artigos Técnicos

A corda é um dos equipamentos fundamentais para a prática de esportes de escalada, mas que muitas vezes não recebe a devida atenção por parte dos usuários.

Basta dizer que na maioria das vezes é o único equipamento que não possibilita o uso de uma prevenção secundária (backup) e, como se isso não bastasse, é composto de material têxtil. É um material que deveria ser melhor analisado no momento da compra, o seu desgaste “deve” ser monitorado ao longo do tempo.

Não se esqueça que disso depende a sua integridade.

Na medida em que uma pessoa se desenvolve tecnicamente dentro dos esportes de escalada ou se especializa num determinado tipo de segmento, é comum surgir à necessidade de uso de cordas estáticas e semidinâmicas.

Muitas vezes isso ocorre até fora do universo esportivo propriamente dito, mas nas outras áreas como nos segmentos de resgate, segurança industrial e militar.

Em muitos casos o sistema de segurança utilizado pelos trabalhadores que atuam em ambientes expostos à potencialidade de queda assemelha-se muito ao sistema utilizado nas montanhas. Equipamentos e técnica para operações táticas e de resgate também são semelhantes ao utilizado nos esportes de escalada.

Apesar de toda semelhança, estamos falando de áreas totalmente distintas que são regidas por outras exigências e normas de padronização.

Os sistemas e equipamentos utilizados em situações esportivas, nem sempre são adequados para uso em trabalho, salvamentos ou operações táticas.

Os equipamentos da categoria “individual” como o próprio nome diz, foram desenvolvidos para utilização pessoal. Nem todo material desenvolvido no mercado é adequado para uso pesado como em resgate e trabalho.

Certificações e Padrões.

O NFPA não é uma norma e sim um padrão. Ele abrange o estudo de segurança de todo e qualquer material que se utiliza no combate ao incendio e está diretamente ligado com a segurança do bombeiro (fire fighter). Assim engloba desde vestimentas até mangueiras de incêndio, passando por sistema de respiração (tubos, válvulas,etc), ferramentas e inclusive a PARTE VERTICAL. O NFPA simula todos os tipos de operações que por ventura pode ser necessário no campo e estuda as cargas envolvidas. A partir daí se calcula as cargas e os procedimentos de segurança. NOTE BEM: não se trata apenas da carga, mas também dos “PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA”. (Luiz Makoto Ishibe).

Para se adequar ao padrão NFPA (National Fire Protection Association) para uso pessoal (classe I ou P), uma corda para uso pessoal tem que ter o diâmetro mínimo de 10 mm, e para uso geral (classe II ou G) mínimo de 12,5mm.

União Internacional das Associações de Alpinismo

Segurança é uma questão muito importante para a UIAA, como é para todos os escaladores e montanhistas. A UIAA Comissão de Segurança trabalha em estreita colaboração com a indústria ajudando a desenvolver padrões para minimizar os acidentes causados por falha de equipamento. Um grande numero de equipamentos do montanhismo e escalada carregam o selo de segurança da UIAA, que indica a conformidade do equipamento com as normas UIAA.

A UIAA começou a testar as cordas em 1960 e agora tem padrões para 20 categorias diferentes de equipamentos de segurança, incluindo capacetes, cintos de segurança e os crampons.

A marcação CE é uma marca que indica que o produto no qual ela está afixada está em conformidade com as diretrizes de segurança de produto da UE. Num primeiro momento, estas diretrizes se aplicam a todos os produtos fabricados para utilização dentro da Associação Européia de Livre Comércio (AELC).

Cordas Estáticas Chamamos de estáticas as cordas que possuem elongação passiva inferior a 2% (com peso corporal padrão de 80k), esse tipo de comportamento é muito difícil de mapear e padronizar, de forma que não existe nenhuma regulamentação para definir com exatidão o que é uma corda estática e não estática.

As cordas estáticas são ideais para rapel, trabalhos de içagem (carga inerte ou pessoas), operações táticas e resgates.

Mesmo nesse caso se estiver sendo usada uma segunda corda de segurança, esta deve ser semidinâmica, caso o sistema principal vier a falhar elimina-se o risco da carga ou ancoragem sofrer um impacto muito forte.

Cordas dinâmicas – São cordas construídas com grande capacidade de absorção, usadas para fins esportivos em escalada em rocha ou gelo. Elas são fabricadas para ter elasticidade de 6 % a 10% com uma carga de 80 kg. Esta característica lhe permite absorver o impacto em caso de queda do escalador sem transferir a força do impacto, evitando assim lesões. É importante usar uma corda de boa construção para conquista de novas vias de escalada ou em situações em que o fator de queda seja elevado.

Absorção de impacto numa queda.

Antes de seguir, vamos entender um pouco melhor como funciona o processo de dissipação de energia no impacto de uma queda numa corda dinâmica.

Uma corda dinâmica moderna funciona como um conjunto de molas-amortecedoras de ação progressiva. Considerando que uma pessoa saudável normalmente consegue suportar a força de aceleração ou desaceleração na ordem de 15 g (15 vezes a aceleração da gravidade) sem sofrer traumatismos ou efeitos colaterais de caráter permanente, todos os cálculos são feitos de forma que, um escalador padrão de 80 kg nunca chegue a sofrer pressão de desaceleração da ordem de 1.200kg (80 x 15).

A dissipação da energia no momento da queda ocorre basicamente por três processos:

1ª – Deformação Permanente: Deve-se considerar este tipo de deformação com especial atenção, pois, como o próprio nome diz, é de caráter definitivo.

Se um escalador sofrer duas queda absolutamente iguais numa mesma corda, o segundo impacto será bem mais forte do que o da primeira queda.

2ª – Deformação Elástica: Uma parte da deformação total sofrida pela corda no processo de amortecimento de queda retorna gradualmente ao estado mais próximo possível do original.

3ª – Geração de Calor: O atrito interno entre as fibras de nylon gera o calor que dissipa a energia da queda. Nos pontos de atrito intenso como na curva do mosquetão de impacto, pode até ocorrer micro fusão (derretimento) de fibras, que formam empelotamento da alma.

Como escolher uma corda.

Existem algumas características que devem ser consideradas na aquisição de uma corda. Afinal de contas, é um equipamento caro e que garante a sua integridade. Os tópicos a serem verificados são: Segurança, eficiência e durabilidade.

1ª – Textura: As cordas macias são gostosas e seguram melhor os nós, por esta razão, muita gente acredita que a maciez é o fruto da evolução. No entanto, o surgimento das cordas macias nada mais é do que a especialização dos materiais, que nesse caso, foram desenvolvidos para serem utilizados em escaladas esportivas em calcário Franceses.

Em ambientes onde a rocha é lisa e macia, a corda não necessita ser dura.

No entanto, para serem utilizadas em granito áspero ou rochas angulosas (mesmo que calcária), as cordas macias não são ideais.

- Primeiro porque o desgaste da corda é maior.

- Segundo porque aderem mais na superfície da rocha áspera aumentando o atrito.

Conseqüentemente nas escaladas em granito áspero e paredes com ângulos mais agressivos, as cordas mais duras são mais eficientes e duráveis.

2ª – Diâmetro: Os single ropes modernos possuem o diâmetro que varia convencionalmente entre 9,5 mm a 11 mm. A resistência e o peso de uma corda estão diretamente relacionados ao seu diâmetro. Assim, fica claro que os extremos foram projetados para usos específicos.

As cordas com menos de 10,5mm de diâmetro são basicamente para escaladas esportivas, enquanto que as mais grossas são para escaladas tradicionais e Big Walls. Obviamente existem áreas em que a particularidade local exige materiais específicos.

As cordas finas e mais duras, além de serem leves, deslizam melhor na rocha e nas costuras. São as mais indicadas para tentativa on sight ou red point.

As cordas mais grossas são mais indicadas para trabalhar vias em escaladas complexas.

3ª – Capa: Muita gente me pergunta se é normal uma corda com pouco uso apresentar a capa solta em relação à alma. Na realidade, todas as cordas dinâmicas em maior ou menor grau possuem a capa solta. Isso é uma característica importante, pois se não fossem assim, as fibras de nylon da capa passariam a arrebentar gradualmente em toda queda.

É muito importante que se entenda que a forma com que a alma estica é diferente da capa. Isso faz com que a capa solta seja uma condição necessária para o amortecimento.

Obviamente não estamos falando de exageros, algo está errado quando a capa chega ao ponto de deslizar sobre a alma e/ou formar pontas vazias no fim da corda.

A capa das cordas estáticas são confeccionadas com carregadores que tecem a trama normalmente com menos de 25 bobinas de feixes de filamentos de nylon 06, e o ajuste é mais fechado do que os das cordas dinâmicas.

4ª – Alma: As cordas dinâmicas são invariavelmente compostas de alma que é um conjunto de filamentos torcidos em espiral dispostos paralelamente. Estes espirais não estão totalmente esticados dentro da corda e é isso que confere a elasticidade e a capacidade de aquecimento por atrito. A forma espiral dos filamentos quase nada tem a ver, com efeito, mola, como alguns acreditam.

O número de espirais que compõem uma corda varia entre 7 a 13 feixes, dependendo do fabricante e do tipo de corda.

5ª – Deformabilidade da seção transversal: Existem cordas que estão sempre redondilhas e outras que deformam, adquirindo uma seção ovalada ou elíptica.

Esta é uma característica bastante importante.

Quando a corda faz uma curva fechada, nas quinas de rochas e nos mosquetões, a curva externa recebe maior tração do que a curva interna. Uma corda que deforma mais tende a distribuir melhor a carga na hora do impacto.

6ª – Single, Half ou Twin Ropes:

As Single ropes, como o próprio nome diz, foram desenvolvidas para serem auto-suficientes em condições normais de uso e vem marcado com um número 1 nas pontas.

As Half ropes devem ser utilizadas em par, e vem marcadas com o número 1/2 nas pontas e devem ser costuras alternadamente.

As Twin ropes devem ser costuradas sempre em par.

7ª – Comprimento: O padrão foi convencionalmente aceito como 50m, mas nos últimos anos as cordas longas de 60m estão ganhando terreno.

Entre as conquistas mais recentes, principalmente em escaladas tradicionais, as cordas de 60m são obrigatórias.

Apesar de ocupar espaço e aumentar um pouco o peso na mochila o fato de se ter 10m extras abre a possibilidade de emendar duas enfiadas numa só ou efetuar parada intermediária. Isso resulta num ganho em velocidade.

Para a escalada esportiva possibilita que se faça Toprope em vias de até 30m. Outra vantagem diz respeito ao dano localizado nas pontas ou no caso de se utilizar à corda para trabalhar uma via, levando sucessivas quedas numa mesma ponta.

Após uma temporada existe a possibilidade de cortar 5m de cada ponta e você fica com uma corda de 50m.

Para ter um parâmetro de quando cortar, eu tenho o hábito de marcar a corda no exato ponto de 5m a partir das pontas. Mantenho um monitoramento regular e se em algum momento a deformação permanente nas pontas fizer com que a marca fique a mais de 5,5m corto para recuperar a capacidade de amortecimento.

Matéria Prima Apesar da grande maioria das cordas empregarem nylon 06 na confecção, esta categoria emprega pelo menos mais dois materiais: “Poliéster e o Polipropileno”.

As cordas de poliéster tende a ser mais neutras a ação de certos produtos químicos, isso fez com que algumas companhias utilizassem esse argumento para vender cordas para uso em ambientes industriais com possibilidade de contaminação química.

Essas ações de natureza química ainda que observadas e estudadas nas fibras, tem se mostrado irrelevantes em muitas situações praticas, de qualquer modo não tem sentido empregarmos uma corda de poliéster para qualquer situação de uso esportivo na montanha ou em trabalho de resgates e operações táticas.

O Polipropileno é utilizado na fabricação de cordas para uso aquático. Mas mesmo nesse caso o polipropileno esta confinado na alma, a capa é nosso bom e velho nylon 06.

Essa categoria de corda flutua na água, facilitando o trabalho de resgate, principalmente quando se tem a necessidade de fazer a corda chegar até a vitima ou socorrista. Tem gente que imagina que este tipo de corda é bom para rapel esportivo em cachoeiras, mas esta enganado, o polipropileno é um material muito mais frágil que o nylon, estas cordas foram desenvolvidas apenas pra diminuir o arrasto e para trabalhos de içamentos em operações de resgate aquático.

Quando aposentar uma corda.

Nem sempre uma corda sem uso é uma corda em condições de uso. Uma corda guardada por mais de 4 anos perde a garantia de fábrica.

Existem fabricantes que inserem uma fita no interior da corda com os dados relativos à fabricação e o lote gravado.

Sempre é uma boa idéia deixar uma marca no ponto de 5m a partir das pontas, pois com isso se monitora o grau de deformação permanente que o material sofreu.

Se você estiver trabalhando vias com quedas de fator alto, em dois ou três dias as pontas já podem estar comprometida e a alma danificada (e muitas vezes parcialmente derretida).

Se a corda estiver com grãos de areia na parte interna (alma), as fibras podem estar sendo danificadas no decorrer do uso. Nestes casos a corda pode conservar a aparência maravilhosa, mais estar comprometida na parte interna.

O estado da corda no que se refere à segurança e confiabilidade não depende do aspecto visual. Este é um equipamento delicado que deve sofrer checagens regulares.

É recomendável que uma corda seja apalpada por inteiro com certa regularidade. Se você sentir ou ver empelotamento, nódulos ou buracos na alma, por melhor que esteja o aspecto da capa, esta pode estar comprometida.

Também as cordas (ou pontas) que sofreram deformação permanente da ordem de 10%, não podem ser consideradas seguras, pois o impacto tende a ficar cada vez mais forte.

As cordas que apresentarem buracos na capa, peludas ou inchadas também devem ser aposentadas.

Saiba mais sobre equipamentos para ascensão:

Equipamentos Bloqueantes para Ascensão em Cordas

fonte:

www.bealplanet.com

www.sterlingrope.com

www.pmirope.com

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM abril - 6 - 2010 Artigos Técnicos

Anote na sua agenda.

Dia 8/05/2010.

Acontece a Abertura da Temporada Paulista de Montanhismo.

Local: Parque Estadual do Jaraguá.

- Jaraguá em Tupi significa: Senhor do Vale

- Jaraguá em Guarani significa: Por onde a gente passou.

Foto: Rafael Modesto

Das 09h00 as 17h00 h.

O que vai rolar?

- Workshop de iniciação a escada para filiados.

- Oficinas técnicas abertas para todos os montanhistas e escaladores.

- Filmes (Uruca, Dia Santo – A saga no monte Roraima para conquista da via Luz e Trevas).

- Muro de escalada para iniciantes.

- Festival de Slackline.

- Brindes.

Mais informações: www.femesp.org

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM abril - 3 - 2010 Notícias

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