Fernando Zara

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Equipamentos

Os mosquetões estão para a escalada assim como o tênis está para o atletismo. É um dos equipamentos fundamentais dessa prática esportiva e, pelo menos no âmbito quantitativo, de longe o mais utilizado.
O desenvolvimento do montanhismo nos últimos anos abriu a possibilidade para que alguns fabricantes pudessem investir no desenvolvimento de novos produtos. Com isso o mercado acabou ganhando muitos modelos de materiais, principalmente mosquetão.

A intenção dos fabricantes sempre foi das melhores, oferecer um equipamento adequado para cada tipo de escalador, de escalada e de situação. No entanto, os consumidores, principalmente os menos experientes, têm adquirido alguns equipamentos sem questionar a real necessidade e as exigências das situações de uso.

Tenho visto com certa apreensão o uso indevido desses materiais, mesmo nos ditos cursos de escaladas ministradas pelas empresas (ou clubes) e assistidos pelos guias e instrutores (supostamente credenciados).

Quando se pretende adquirir um material, a pergunta fundamental não deve ser – qual dos modelos é o mais bonitinho para estar no meu gear rack? Ou qual dos modelos ainda não tem na minha coleção?

Deve sim se questionar – Qual o uso que pretendo fazer com eles e para que situação o equipamento foi projetado?

Até o surgimento do escalada esportiva, a queda de um escalador não era uma coisa tão freqüente. Os equipamentos eram projetados para serem possantes (apesar de o padrão vigente ser UIAA e os sistemas de controle de qualidade muito menos sofisticados do que os atuais) e utilizados nas montanhas, onde o ambiente é de longe muito mais agressivo do que os daqueles encontrados nos rock gims e paredes modulares preparados para escalada.
Com o surgimento de escalada esportiva, mesmo nos ambientes naturais, os equipamentos passaram a ser submetidos a impactos de repetidas quedas de pequena dimensão. Um mosquetão utilizado por um escalador esportivo de alto nível pode ser solicitado em centenas de quedas antes de ser aposentado.

Equipamentos

Também o desenvolvimento de escaladas alpinas fez com que surgissem materiais cada vez mais leves, conceito logo incorporado pelo mercado.

Mais ou menos na virada de década de 80 para 90 surgiu no mercado uma leva de mosquetões classificados como light weight, de perfil fino e peso inferior a 50g. Esses materiais foram muito questionados devido a sua fragilidade e muitos deles tiveram a produção interrompida.

Hoje não restam muitos deles, mas ainda são utilizados por alguns escaladores de ponta para escaladas alpinas. O fato de serem mais leves contribui para a melhoria do rendimento técnico da escalada.

Oval Wire

 

 

 

 

Livewire

 

 

Um material mais possante que, no entanto consegue ser leve o suficiente para serem classificados nessa mesma categoria são os mosquetões com gatilho de arame.
Os materiais de projeto bom, pelo menos no sentido longitudinal, conseguem ser até mais fortes do que os modelos convencionais equivalentes. Isso acontece por que esse tipo de projeto conseguiu eliminar ou reforçar alguns pontos de fraqueza como o nariz do mosquetão, além de distribuir a carga de inserção do gatilho em dois furos. Existem modelos que utilizam esse tipo de gatilho no corpo de mosquetão convencional (apenas trocam o gatilho), apenas para reduzir o peso. Obviamente nesses casos os modelos resultantes não possuem nenhuma vantagem estrutural.
Uma coisa muito importante que se deve saber é que não importa o tipo do mosquetão, esses equipamentos foram projetados para sofrerem esforços de tração longitudinal (paralelo ao eixo maior). Nenhum modelo disponível no mercado foi projetado para sofrer tração radial ou transversal. Também deve se tomar cuidado para não submetê-los a flexão ou torção.

Tipos de mosquetões de acordo com o formato:

 

 

Positron

D SIMÉTRICO E ASSIMÉTRICO: São mosquetões basicamente utilizados para costuras de proteção. Possui grande resistência quando submetido à carga longitudinal, o que os torna ideais para esse uso. Deve-se ter em mente que todos os mosquetões conectados nos grampos em P devem ser virados (Flip). Esse procedimento se estende para todos os mosquetões assimétricos clipados em qualquer tipo de proteção fixa.

 

 

Positron Bent

GATILHO CURVO (BENT GATE): São basicamente os corpos dos mosquetões em D assimétricos equipados com gatilhos curvos para maior abertura e facilidade de uso. Utilizados única e exclusivamente como mosquetão inferior de quickdraw, serve apenas para passar a corda. Nunca devem ser utilizados diretamente nos pontos de costura. Devem também ser presos na fita de modo que fiquem sempre posicionados com a abertura para baixo. Isso é especialmente importante, pois esses mosquetões podem se posicionar atravessados (transversalmente) quando em uso.

 

 

Oval

OVAL: São os modelos largamente utilizados para Bigwalls e também são os ideais para a montagem do Six Carabiners Brake. Isso ocorre devido ao fato destes mosquetões não apresentarem a tendência de deriva e com isso serem ideais para diferentes funções como para carregar equipamentos, montagem de parada complexa, organização de materiais, etc. A grande desvantagem é o peso relativamente elevado (em torno de 60g). Não se aconselha para o uso em costuras de proteção nos locais de potencialidade de quedas grandes e/ou de fator elevado. Podem ser empregados na montagem de parada, desde que se utilizem dois deles invertidos.

Os mosquetões desenhados para serem utilizados em locais ou situações vitais para a segurança do escalador ou da cordada, possuem dispositivo que trava o gatilho de abertura na posição fechada para se ter à certeza de que não vão abrir acidentalmente. Existem diferentes tipos de travas, sendo três as grandes categorias: Rosca, Baioneta e Automática.

Cada uma dessas categorias possui algumas particularidades:

 

 

Vaporlock

ROSCA: Qualquer escalador que esteja nesse meio por mais de dez anos já deparou com situações em que a rosca travava e o trabalho de desemperrar era bem complicado. Acredito que muitos desses escaladores têm reparado que nos modelos novos, pelo menos de alguns fabricantes, isso é muito difícil de ocorrer.
O travamento clássico acontece principalmente por que a rosca (jaqueta) da trava avança por sobre o nariz do mosquetão e fica emperrado. Todos os mosquetões deformam, mesmo com pouca carga. É relativamente comum a jaqueta da rosca avançar até encostar-se ao corpo do mosquetão (nariz) quando está carregado e, na hora de solta-lo, numa situação sem carga, a deformação desaparece e a jaqueta fica encavalada sobre o nariz do mosquetão.
Os melhores modelos de hoje possui um anel limitador de rosca tanto na posição superior quanto inferior. Isso faz com que esses modelos sofram menos problemas de emperramento.

BAIONETA: Muita gente confunde a trava baioneta com automática. A trava baioneta, ainda que possua um sistema de travamento assistido por uma mola, o acionamento é manual. Isso quer dizer que você possui a opção de mante-lo na posição destravada se isso fizer necessário. Esse tipo de trava ainda não é muito comum. São ideais para auto-fixação, nas operações comerciais e táticos de operações como tirolesas e eventualmente para ministrar segurança com aparelhos como ATC e Gri-Gri.

 

 

Rocklock Twistlock

AUTOMÁTICA: São as travas que, quando o gatilho fecha, automaticamente ficam travados. Esse tipo de trava já foi à causa de acidentes. Alguns fabricantes produzem mosquetões com trava automática com um segundo estágio de acionamento manual tipo baioneta. Esse segundo tipo é considerado muito seguro e muito empregado nos cursos e instruções. É relativamente comum ver esses materiais sendo empregados como mosquetão para conectar no aparelho de segurança.

Quanto ao formato, os mosquetões de trava podem ser diferenciados em convencionais HMS e D de grande dimensão:

 

 

Positron Screwgate

CONVENCIONAL: São mosquetões em D (simétrico ou não) com trava de segurança. Largamente utilizado como mosquetão do auto-seguro. Podem ser utilizados também nos pontos de costuras vitais em escaladas de grande complexidade (alpina, bigwall, etc) e para costurar os parafusos de gelo (ice screw).

 

 

Minipearbiner

HMS: No Brasil é também conhecido como Mosquetão Pêra, devido ao seu formato. Em termos de projeto, não é o melhor modelo estrutural. No entanto o seu formato facilita o manejo quando empregado em certas situações como ponto central de uma parada. Não são mosquetões ideais para ministrar segurança, exceto com equipamentos na forma de tubos ou placas (ATC, Tuber, plaquetas, etc), pois se podem empregar dois mosquetões para conectar a corda.

 

 

Rocklock Screwgate

D de GRANDE DIMENSÃO: Possuem formato assimétrico em D e com maior dimensão do que os convencionais. São fortes no sentido estruturado que os torna ideais para conectar a cadeirinha em aparelhos de segurança e rapel.

BD-Gridlock-Screwgate-Biner

Com design revolucionário, a Black Diamond projetou especificamente para ministrar segurança o mosquetão Gridlock. O gatilho possui uma haste interna que mantém o mosquetão sempre posicionado no loop da cadeirinha.

Veja Também:

Lanternas para uso Recreacional, Esportivo e Profissional

Fonte: Makoto Ishibe
www.nozica.com.br

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM fevereiro - 19 - 2010 Artigos Técnicos

Publicado no site original da BD no dia 8 de Julho de 2009 – pela Equipe BD

As 5 enfiadas favoritas do Tommy Caldwell no El Cap

O meu corpo está pendurado pela cadeirinha, olhos cerrados, as mãos sangrando, os pés esfolados e levando bofetadas do vento no frio diedro em sombra a 2800 pés de altura. Por 19 horas estive lutando, me esperneando, caindo e pressionando o meu corpo e a minha mente duramente – tudo em nome de conseguir escalar mais uma via em livre em um dia no El Cap – agora no Magic Mushroom. Estou tão cansado que a alucinação está próxima de acontecer. Acima estão sete pequenos tetos e o crux, uma fenda de dedo numa parede negativa super exposta ao vento.
Nada vem fácil no El Cap, Tudo nele tem uma magnitude colossal. Esta é uma das razões pelas quais ele tem me chamado a atenção por mais de uma década. A forma como ele me testa e as enfiadas tão distantes do chão. Elas têm me dado experiências que nenhum outro tipo de escalada conseguiu me proporcionar. Aqui estão as mais memoráveis:

The Nose, The Changing Corner (enfiada 28)
Esta enfiada consiste de um diedro liso de 90 graus, com quase nada de feições exceto por uma fenda fina e de borda arredondada na borda. Esta seqüência exige uma tensão corporal tremenda, uma técnica de chaminé modificada e a fé de que os seus pés vão ficar. Mesmo uma década depois de a Linn Hill ter escalado em livre pela primeira vez esta continua a enfiada em livre mais difícil do El Cap.

Zodiac, The Nipple (enfiada 10)
O Nipple é um undercling (travessia por baixo de um teto) tendendo para direita numa seqüência de verticalidade incrível numa rocha branca como a neve. A escalada consiste em uma combinação de posicionamentos bem fora do comum, movimentos extenuantes e passagens com o corpo fora de ponto de equilíbrio de um buraco de píton para outro. Ela é dura demais para parar e proteger, então simplesmente vai embora. Se cair tem que esperar que alguns blades de cabeça para baixo segure as quedas que podem ser pêndulos gigantes.

Salathé Wall, The Headwall (enfiada 30)
Este é seguramente um dos locais mais selvagens no mundo para se escalar. Sempre venta muito lá, e o crux vem no final da enfiada cheia que já é muito bombante, quando você tem que conseguir fazer algumas travadas nas pontas dos dedos e depois um movimento dinâmico para entalar o seu pé num buraco, e então montar a parada suspensa. Muitos escaladores durões acabaram sucumbindos por causa da vertigem causada pela super exposição do The Headwall.

Lunking Fear, Super Slab (enfiada 2)
Super Slab é uma enfiada com lâminas de barbear cravadas na parede. É uma batalha constante de quase 50m contra os pés que tendem a escorregar constantemente. Tem também um bote lareral em que, momentaneamente, ficamos com todos os membros no ar. O trabalho dos pés é muito técnico e doloroso. Perdi duas unhas na tentativa do redpoint, e eu acho era uma das enfiadas mais exclusivas no mundo. A seqüência é tão complicada que me tomou quase uma semana para conseguir lembrar e memorizar tudo.

El Corazon, The Bunny Slope (enfiada 21)
A lógica me dizia que eu iria sobreviver a ela. Mas quando se olha para a queda em pêndulo de quase 70 metros direto para a parada é difícil se convencer de que tudo vai ficar bem. “A queda é limpa… não vou bater em nada…” Eu repetia a frase na minha cabeça repetidamente na medida em que nervosamente subia pelos micros regletes até a parada.

—Tommy Caldwell

Fonte:

www.nozica.com.br

www.bdel.com

El Corazon

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ARTIGO POR: Fernando Zara EM fevereiro - 18 - 2010 Notícias

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